Resposta rápida
De 2025 até a MP 1.394, só podiam operar empresas com autorização federal, que pagaram R$ 30 milhões cada uma. Elas recolhiam uma contribuição sobre a receita, além dos impostos de qualquer empresa, e eram obrigadas a seguir regras de proteção ao apostador, como reconhecimento facial, limites de gasto e autoexclusão.
Em números
R$ 2,55 bi
pagos pelas autorizações
85 autorizações de R$ 30 milhões cada
FonteMinistério da Saúde
R$ 9,95 bi
em tributos federais em 2025
Atividade de jogos e apostas. Em 2024, foram R$ 91 milhões
FonteFazenda
13%
da receita para fins definidos em lei
Desde abril de 2026. Antes, 12%
1,2 mi
pedidos de autoexclusão
Plataforma do governo, até agosto de 2026
FonteFazenda
3 mi
beneficiários de programas sociais bloqueados
Bolsa Família e BPC, até agosto de 2026
FonteFazenda
17.987
sites ilegais bloqueados até set/2025
De 21.854 enviados à Anatel
FonteTCU
Quem podia operar
- Só empresas com autorização do Ministério da Fazenda, dada pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). A autorização não podia ser vendida nem transferida.
- Cada autorização custava até R$ 30 milhões, valia por até 5 anos e permitia usar até 3 marcas.
- Foram 85 autorizações, num total de R$ 2,55 bilhões pagos ao governo.
O que pagavam de imposto
- Uma contribuição sobre a receita: do que as apostas arrecadavam, menos os prêmios pagos, 12% iam para destinos fixados em lei. Desse dinheiro, 36% iam para o esporte, 28% para o turismo, 13,6% para segurança pública, 10% para a educação, 10% para a seguridade social e 1% para a saúde, na prevenção dos danos do jogo.
- Em abril de 2026, a contribuição subiu para 13%. Pela Lei Complementar 224, iria a 14% em 2027 e a 15% em 2028. A fatia extra foi destinada à Polícia Federal.
- Além disso, pagavam os tributos de qualquer empresa (IRPJ, CSLL, PIS/Cofins e contribuição previdenciária) e uma taxa mensal de fiscalização.
- O apostador pagava 15% de imposto de renda sobre o ganho líquido do ano (prêmios menos perdas), só na parte acima da faixa de isenção.
- Pelos dados da Receita Federal, a atividade de jogos e apostas recolheu R$ 9,95 bilhões em tributos federais em 2025, contra R$ 91 milhões em 2024. Esse grupo pode incluir outras empresas de jogos e loterias além das bets.
Regras de proteção ao apostador
- Cadastro com reconhecimento facial e confirmação da identidade. Menores de 18 anos não podiam apostar.
- Limites de gasto e de tempo definidos no cadastro. Um pedido para aumentar o limite só valia depois de 24 horas.
- Alertas por tempo de uso, pausas e autoexclusão. Desde dezembro de 2025, uma plataforma do governo permitia se excluir de todas as empresas autorizadas de uma vez, e a empresa tinha 72 horas para bloquear a conta.
- Proibido oferecer bônus para apostar e proibido dar crédito ao apostador.
- Proibido pagar aposta com cartão de crédito, dinheiro vivo, boleto, criptomoeda ou conta de outra pessoa. Só Pix, transferência e cartão de débito ou pré-pago.
- Beneficiários do Bolsa Família e do BPC ficaram impedidos de apostar, por decisão do STF. Quem renegociou dívidas em programas do governo também.
- Atletas, árbitros, dirigentes e funcionários das empresas não podiam apostar.
Regras de publicidade
- Todo anúncio precisava do aviso “18+” e de uma advertência do tipo “Apostar pode causar dependência”, ocupando ao menos 10% da peça.
- Era proibido anunciar para menores, prometer ganho fácil ou apresentar a aposta como investimento ou fonte de renda.
- O anúncio tinha de informar o número da autorização da empresa.
Fiscalização e punições
- A lei previa multa de até R$ 2 bilhões por infração, suspensão, cassação da autorização e proibição de voltar ao mercado por até 10 anos.
- As empresas tinham de comunicar apostas suspeitas ao Coaf, contra lavagem de dinheiro, e indícios de manipulação de resultados ao governo e ao Ministério Público.
- Na prática, até junho de 2026 havia 39 processos concluídos: 32 advertências e 7 multas, que somavam cerca de R$ 11 milhões. Nenhuma autorização foi cassada. Esses dados foram obtidos pela imprensa via Lei de Acesso à Informação.
- Até setembro de 2025, 17.987 sites ilegais foram bloqueados pela Anatel. Segundo o TCU, 17,7% dos domínios eram reincidentes.
O que muda com a MP 1.394
- As autorizações acabam em 25 de outubro de 2026. A MP diz que as empresas não têm direito à devolução da outorga nem a indenização.
- O próprio governo estima que deixará de arrecadar R$ 1,5 bilhão em 2026, R$ 5,2 bilhões em 2027 e R$ 5,3 bilhões em 2028.
- As regras descritas nesta página valiam até a MP. Boa parte da Lei 14.790 aparece hoje como revogada pela MP, que ainda precisa ser votada pelo Congresso.
Mitos e fatos
O que circula sobre o mercado regulado, e o que os documentos oficiais mostram.
Falso“As bets não pagavam imposto.”
As empresas autorizadas pagavam uma contribuição sobre a receita e os tributos de qualquer empresa. A atividade de jogos e apostas recolheu R$ 9,95 bilhões em tributos federais em 2025, fora os R$ 2,55 bilhões das autorizações.
Falso“O governo vai devolver os R$ 30 milhões da outorga.”
A MP 1.394 diz que o fim das autorizações não dá direito à devolução, total ou parcial, do valor pago, nem a indenização.
FontePlanalto
Falso“Não existia regra de jogo responsável.”
A lei e a portaria da SPA exigiam reconhecimento facial, limites de gasto e de tempo, pausas, autoexclusão e advertência em todo anúncio. A plataforma de autoexclusão do governo recebeu mais de 1,2 milhão de pedidos.
Falso“Dava para apostar no cartão de crédito e ganhar bônus de boas-vindas.”
Nas empresas autorizadas, cartão de crédito e criptomoeda eram proibidos como forma de pagamento, assim como bônus para apostar.
Falso“O imposto das bets subiu para 18%.”
Uma MP de 2025 propôs 18%, mas o aumento saiu do texto e ela perdeu a validade. O que virou lei foi a alta para 13% em 2026, 14% em 2027 e 15% em 2028.
Desatualizado“Beneficiário do Bolsa Família podia apostar à vontade.”
Desde outubro de 2025, por decisão do STF, beneficiários do Bolsa Família e do BPC ficaram impedidos de apostar nas empresas autorizadas. Mais de 3 milhões de pessoas foram bloqueadas.
Falso“Com a regulação, o mercado ilegal acabou.”
Até setembro de 2025, quase 18 mil sites ilegais foram bloqueados, e 17,7% dos domínios eram reincidentes, segundo o TCU. Um estudo encomendado por uma associação do setor estimou que de 38% a 44% das apostas do 1º semestre de 2026 ainda iam para sites ilegais.
FonteTCU
Em parte“As bets nunca eram punidas.”
Houve mais de cem processos. Até junho de 2026, 39 tinham terminado, com 32 advertências e 7 multas que somavam cerca de R$ 11 milhões. Nenhuma autorização foi cassada, embora a lei permitisse multa de até R$ 2 bilhões.
Falso“Quem tinha saldo numa bet autorizada perdeu o dinheiro.”
A MP manda devolver o saldo inteiro e as apostas anuladas, e pagar os prêmios já apurados, pelo banco ou, em último caso, pela Caixa.
FontePlanalto
Por Redação Jogo às Claras · Publicado em · Como trabalhamos
O conteúdo desta página possui caráter exclusivamente informativo e não substitui orientação jurídica individual.
De onde veio a informação (14)
- 01
primáriaMinistério da Saúde
Presidente Lula assina medida provisória que proíbe as bets no Brasil (Ministério da Saúde)(abre em nova aba)Publicado 25 set 2026 · Verificado 13 out 2026
85 outorgas de R$ 30 milhões (R$ 2,55 bi); sem devolução nem indenização.
- 02
primáriaMinistério da Fazenda
Receita Federal, Análise da Arrecadação das Receitas Federais, dezembro de 2025(abre em nova aba)Publicado 27 jan 2026 · Verificado 13 out 2026
Divisão CNAE 'exploração de jogos de azar e apostas': R$ 9,953 bi em 2025, contra R$ 91 mi em 2024 (sem receitas previdenciárias). Pode incluir outros jogos e loterias.
- 03
primáriaPresidência da República — Portal da Legislação
Lei Complementar nº 224, de 26 de dezembro de 2025(abre em nova aba)Publicado 26 dez 2025 · Verificado 13 out 2026
Art. 9º: contribuição das apostas passa a 13% em 2026, 14% em 2027 e 15% a partir de 2028. Efeitos do art. 9º a partir de 1º/04/2026 (art. 14, I, b).
- 04
primáriaPresidência da República — Portal da Legislação
Lei nº 13.756, de 12 de dezembro de 2018(abre em nova aba)Publicado 12 dez 2018 · Verificado 07 out 2026
- 05
primáriaMinistério da Fazenda
Cerca de 800 mil pessoas estão impedidas de apostar após renegociação de dívidas (Ministério da Fazenda)(abre em nova aba)Publicado 13 ago 2026 · Verificado 13 out 2026
827.304 impedidos; mais de 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão.
- 06
primáriaMinistério da Fazenda
Beneficiários de programas sociais não conseguem mais abrir conta em site de apostas (Ministério da Fazenda)(abre em nova aba)Publicado 20 ago 2026 · Verificado 13 out 2026
Mais de 3 milhões de pessoas bloqueadas.
- 07
primáriaTribunal de Contas da União
TCU, Acórdão 1.296/2026-Plenário: auditoria sobre prevenção e combate às apostas ilegais(abre em nova aba)Publicado 19 mai 2026 · Verificado 13 out 2026
Arrecadação do 1º semestre de 2025; 21.854 URLs enviadas à Anatel e 17.987 bloqueadas até set/2025, 17,7% reincidentes; cita estudo LCA/IBJR sobre mercado ilegal.
- 08
primáriaPresidência da República — Portal da Legislação
Lei nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023 — texto compilado(abre em nova aba)Publicado 29 dez 2023 · Verificado 07 out 2026
Diversos artigos revogados pela MP 1.394/2026. Consulte a versão compilada.
- 09
primáriaSecretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda
Portaria SPA/MF nº 1.231, de 31 de julho de 2024 (jogo responsável e publicidade), versão consolidada(abre em nova aba)Publicado 31 jul 2024 · Verificado 13 out 2026
Limites no cadastro, pausas, autoexclusão, advertências na publicidade, vedação a beneficiários de programas sociais (art. 8º).
- 10
primáriaImprensa Nacional — Diário Oficial da União
Portaria Normativa SPA/MF nº 615, de 16 de abril de 2024 (meios de pagamento)(abre em nova aba)Publicado 18 abr 2024 · Verificado 13 out 2026
Art. 3º, § 2º: vedados cartão de crédito, dinheiro, boleto, cheque, criptoativos e contas de terceiros.
- 11
primáriaMinistério da Fazenda
Plataforma centralizada de autoexclusão permite bloquear sites de apostas autorizados de uma só vez (Ministério da Fazenda)(abre em nova aba)Publicado 03 jul 2026 · Verificado 13 out 2026
Prazo de 1 a 12 meses ou indeterminado; operador tem 72 h para bloquear.
- 12
secundáriaFolhapress, via Jornal de Brasília
Bets foram alvo de mais de cem processos da Fazenda por infrações desde 2025 (Folhapress, via Jornal de Brasília)(abre em nova aba)Publicado 25 jul 2026 · Verificado 13 out 2026
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação: 39 processos concluídos (32 advertências, 7 multas, cerca de R$ 11 mi), nenhuma cassação.
- 13
primáriaPresidência da República — Portal da Legislação
Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026 — texto oficial(abre em nova aba)Publicado 25 set 2026 · Verificado 07 out 2026
- 14
primáriaSenado Federal
Sumário executivo da MPV 1.394/2026 (Consultoria do Senado)(abre em nova aba)Publicado 29 set 2026 · Verificado 13 out 2026
Impacto estimado pelo Executivo: perda de R$ 1,541 bi (2026), R$ 5,150 bi (2027) e R$ 5,330 bi (2028).