Pular para o conteúdo
Jogo às Claras
PlantãoAté 8/10, operadores devem enviar aos bancos a relação de valores a restituir. Os bancos têm então sete dias para devolver, para conta do próprio apostador e sem taxa — até 14/10, pelo calendário da Agência Senado.Sites e aplicativos de apostas de quota fixa devem estar fora do ar a partir de 6/10, inclusive nas lojas de aplicativos.Termina o prazo de dez dias para retirar publicidade e sinais de patrocínio de apostas em qualquer meio.
↑↓ navegar · Enter abrir

Entenda a MP · Guia · 5 min

Como funcionava o mercado regulado de apostas no Brasil?

· Fontes: Ministério da Saúde, Fazenda, Planalto, TCU, SPA/MF, DOU, Folhapress, via Jornal de Brasília, Senado

Resposta rápida

De 2025 até a MP 1.394, só podiam operar empresas com autorização federal, que pagaram R$ 30 milhões cada uma. Elas recolhiam uma contribuição sobre a receita, além dos impostos de qualquer empresa, e eram obrigadas a seguir regras de proteção ao apostador, como reconhecimento facial, limites de gasto e autoexclusão.

Em números

  • R$ 2,55 bi

    pagos pelas autorizações

    85 autorizações de R$ 30 milhões cada

    FonteMinistério da Saúde

  • R$ 9,95 bi

    em tributos federais em 2025

    Atividade de jogos e apostas. Em 2024, foram R$ 91 milhões

    FonteFazenda

  • 13%

    da receita para fins definidos em lei

    Desde abril de 2026. Antes, 12%

    FontesPlanaltoPlanalto

  • 1,2 mi

    pedidos de autoexclusão

    Plataforma do governo, até agosto de 2026

    FonteFazenda

  • 3 mi

    beneficiários de programas sociais bloqueados

    Bolsa Família e BPC, até agosto de 2026

    FonteFazenda

  • 17.987

    sites ilegais bloqueados até set/2025

    De 21.854 enviados à Anatel

    FonteTCU

Quem podia operar

  • Só empresas com autorização do Ministério da Fazenda, dada pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). A autorização não podia ser vendida nem transferida.
  • Cada autorização custava até R$ 30 milhões, valia por até 5 anos e permitia usar até 3 marcas.
  • Foram 85 autorizações, num total de R$ 2,55 bilhões pagos ao governo.

FontesMinistério da SaúdePlanalto

O que pagavam de imposto

  • Uma contribuição sobre a receita: do que as apostas arrecadavam, menos os prêmios pagos, 12% iam para destinos fixados em lei. Desse dinheiro, 36% iam para o esporte, 28% para o turismo, 13,6% para segurança pública, 10% para a educação, 10% para a seguridade social e 1% para a saúde, na prevenção dos danos do jogo.
  • Em abril de 2026, a contribuição subiu para 13%. Pela Lei Complementar 224, iria a 14% em 2027 e a 15% em 2028. A fatia extra foi destinada à Polícia Federal.
  • Além disso, pagavam os tributos de qualquer empresa (IRPJ, CSLL, PIS/Cofins e contribuição previdenciária) e uma taxa mensal de fiscalização.
  • O apostador pagava 15% de imposto de renda sobre o ganho líquido do ano (prêmios menos perdas), só na parte acima da faixa de isenção.
  • Pelos dados da Receita Federal, a atividade de jogos e apostas recolheu R$ 9,95 bilhões em tributos federais em 2025, contra R$ 91 milhões em 2024. Esse grupo pode incluir outras empresas de jogos e loterias além das bets.

FontesFazendaPlanaltoPlanaltoTCUPlanalto

Regras de proteção ao apostador

  • Cadastro com reconhecimento facial e confirmação da identidade. Menores de 18 anos não podiam apostar.
  • Limites de gasto e de tempo definidos no cadastro. Um pedido para aumentar o limite só valia depois de 24 horas.
  • Alertas por tempo de uso, pausas e autoexclusão. Desde dezembro de 2025, uma plataforma do governo permitia se excluir de todas as empresas autorizadas de uma vez, e a empresa tinha 72 horas para bloquear a conta.
  • Proibido oferecer bônus para apostar e proibido dar crédito ao apostador.
  • Proibido pagar aposta com cartão de crédito, dinheiro vivo, boleto, criptomoeda ou conta de outra pessoa. Só Pix, transferência e cartão de débito ou pré-pago.
  • Beneficiários do Bolsa Família e do BPC ficaram impedidos de apostar, por decisão do STF. Quem renegociou dívidas em programas do governo também.
  • Atletas, árbitros, dirigentes e funcionários das empresas não podiam apostar.

FontesFazendaPlanaltoSPA/MFDOUFazenda

Regras de publicidade

  • Todo anúncio precisava do aviso “18+” e de uma advertência do tipo “Apostar pode causar dependência”, ocupando ao menos 10% da peça.
  • Era proibido anunciar para menores, prometer ganho fácil ou apresentar a aposta como investimento ou fonte de renda.
  • O anúncio tinha de informar o número da autorização da empresa.

FontesPlanaltoSPA/MF

Fiscalização e punições

  • A lei previa multa de até R$ 2 bilhões por infração, suspensão, cassação da autorização e proibição de voltar ao mercado por até 10 anos.
  • As empresas tinham de comunicar apostas suspeitas ao Coaf, contra lavagem de dinheiro, e indícios de manipulação de resultados ao governo e ao Ministério Público.
  • Na prática, até junho de 2026 havia 39 processos concluídos: 32 advertências e 7 multas, que somavam cerca de R$ 11 milhões. Nenhuma autorização foi cassada. Esses dados foram obtidos pela imprensa via Lei de Acesso à Informação.
  • Até setembro de 2025, 17.987 sites ilegais foram bloqueados pela Anatel. Segundo o TCU, 17,7% dos domínios eram reincidentes.

FontesTCUPlanaltoFolhapress, via Jornal de Brasília

O que muda com a MP 1.394

  • As autorizações acabam em 25 de outubro de 2026. A MP diz que as empresas não têm direito à devolução da outorga nem a indenização.
  • O próprio governo estima que deixará de arrecadar R$ 1,5 bilhão em 2026, R$ 5,2 bilhões em 2027 e R$ 5,3 bilhões em 2028.
  • As regras descritas nesta página valiam até a MP. Boa parte da Lei 14.790 aparece hoje como revogada pela MP, que ainda precisa ser votada pelo Congresso.

FontesPlanaltoSenado

Mitos e fatos

O que circula sobre o mercado regulado, e o que os documentos oficiais mostram.

  1. Falso“As bets não pagavam imposto.”

    As empresas autorizadas pagavam uma contribuição sobre a receita e os tributos de qualquer empresa. A atividade de jogos e apostas recolheu R$ 9,95 bilhões em tributos federais em 2025, fora os R$ 2,55 bilhões das autorizações.

    FontesMinistério da SaúdeFazenda

  2. Falso“O governo vai devolver os R$ 30 milhões da outorga.”

    A MP 1.394 diz que o fim das autorizações não dá direito à devolução, total ou parcial, do valor pago, nem a indenização.

    FontePlanalto

  3. Falso“Não existia regra de jogo responsável.”

    A lei e a portaria da SPA exigiam reconhecimento facial, limites de gasto e de tempo, pausas, autoexclusão e advertência em todo anúncio. A plataforma de autoexclusão do governo recebeu mais de 1,2 milhão de pedidos.

    FontesFazendaPlanaltoSPA/MF

  4. Falso“Dava para apostar no cartão de crédito e ganhar bônus de boas-vindas.”

    Nas empresas autorizadas, cartão de crédito e criptomoeda eram proibidos como forma de pagamento, assim como bônus para apostar.

    FontesPlanaltoDOU

  5. Falso“O imposto das bets subiu para 18%.”

    Uma MP de 2025 propôs 18%, mas o aumento saiu do texto e ela perdeu a validade. O que virou lei foi a alta para 13% em 2026, 14% em 2027 e 15% em 2028.

    FontesPlanaltoPlanalto

  6. Desatualizado“Beneficiário do Bolsa Família podia apostar à vontade.”

    Desde outubro de 2025, por decisão do STF, beneficiários do Bolsa Família e do BPC ficaram impedidos de apostar nas empresas autorizadas. Mais de 3 milhões de pessoas foram bloqueadas.

    FontesFazendaSPA/MF

  7. Falso“Com a regulação, o mercado ilegal acabou.”

    Até setembro de 2025, quase 18 mil sites ilegais foram bloqueados, e 17,7% dos domínios eram reincidentes, segundo o TCU. Um estudo encomendado por uma associação do setor estimou que de 38% a 44% das apostas do 1º semestre de 2026 ainda iam para sites ilegais.

    FonteTCU

  8. Em parte“As bets nunca eram punidas.”

    Houve mais de cem processos. Até junho de 2026, 39 tinham terminado, com 32 advertências e 7 multas que somavam cerca de R$ 11 milhões. Nenhuma autorização foi cassada, embora a lei permitisse multa de até R$ 2 bilhões.

    FontesPlanaltoFolhapress, via Jornal de Brasília

  9. Falso“Quem tinha saldo numa bet autorizada perdeu o dinheiro.”

    A MP manda devolver o saldo inteiro e as apostas anuladas, e pagar os prêmios já apurados, pelo banco ou, em último caso, pela Caixa.

    FontePlanalto

Por Redação Jogo às Claras · Publicado em · Como trabalhamos

O conteúdo desta página possui caráter exclusivamente informativo e não substitui orientação jurídica individual.

De onde veio a informação (14)

  1. 01

    primáriaMinistério da Saúde

    Presidente Lula assina medida provisória que proíbe as bets no Brasil (Ministério da Saúde)(abre em nova aba)

    Publicado 25 set 2026 · Verificado 13 out 2026

    85 outorgas de R$ 30 milhões (R$ 2,55 bi); sem devolução nem indenização.

  2. 02

    primáriaMinistério da Fazenda

    Receita Federal, Análise da Arrecadação das Receitas Federais, dezembro de 2025(abre em nova aba)

    Publicado 27 jan 2026 · Verificado 13 out 2026

    Divisão CNAE 'exploração de jogos de azar e apostas': R$ 9,953 bi em 2025, contra R$ 91 mi em 2024 (sem receitas previdenciárias). Pode incluir outros jogos e loterias.

  3. 03

    primáriaPresidência da República — Portal da Legislação

    Lei Complementar nº 224, de 26 de dezembro de 2025(abre em nova aba)

    Publicado 26 dez 2025 · Verificado 13 out 2026

    Art. 9º: contribuição das apostas passa a 13% em 2026, 14% em 2027 e 15% a partir de 2028. Efeitos do art. 9º a partir de 1º/04/2026 (art. 14, I, b).

  4. 04

    primáriaPresidência da República — Portal da Legislação

    Lei nº 13.756, de 12 de dezembro de 2018(abre em nova aba)

    Publicado 12 dez 2018 · Verificado 07 out 2026

  5. 05

    primáriaMinistério da Fazenda

    Cerca de 800 mil pessoas estão impedidas de apostar após renegociação de dívidas (Ministério da Fazenda)(abre em nova aba)

    Publicado 13 ago 2026 · Verificado 13 out 2026

    827.304 impedidos; mais de 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão.

  6. 06

    primáriaMinistério da Fazenda

    Beneficiários de programas sociais não conseguem mais abrir conta em site de apostas (Ministério da Fazenda)(abre em nova aba)

    Publicado 20 ago 2026 · Verificado 13 out 2026

    Mais de 3 milhões de pessoas bloqueadas.

  7. 07

    primáriaTribunal de Contas da União

    TCU, Acórdão 1.296/2026-Plenário: auditoria sobre prevenção e combate às apostas ilegais(abre em nova aba)

    Publicado 19 mai 2026 · Verificado 13 out 2026

    Arrecadação do 1º semestre de 2025; 21.854 URLs enviadas à Anatel e 17.987 bloqueadas até set/2025, 17,7% reincidentes; cita estudo LCA/IBJR sobre mercado ilegal.

  8. 08

    primáriaPresidência da República — Portal da Legislação

    Lei nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023 — texto compilado(abre em nova aba)

    Publicado 29 dez 2023 · Verificado 07 out 2026

    Diversos artigos revogados pela MP 1.394/2026. Consulte a versão compilada.

  9. 09

    primáriaSecretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda

    Portaria SPA/MF nº 1.231, de 31 de julho de 2024 (jogo responsável e publicidade), versão consolidada(abre em nova aba)

    Publicado 31 jul 2024 · Verificado 13 out 2026

    Limites no cadastro, pausas, autoexclusão, advertências na publicidade, vedação a beneficiários de programas sociais (art. 8º).

  10. 10

    primáriaImprensa Nacional — Diário Oficial da União

    Portaria Normativa SPA/MF nº 615, de 16 de abril de 2024 (meios de pagamento)(abre em nova aba)

    Publicado 18 abr 2024 · Verificado 13 out 2026

    Art. 3º, § 2º: vedados cartão de crédito, dinheiro, boleto, cheque, criptoativos e contas de terceiros.

  11. 11

    primáriaMinistério da Fazenda

    Plataforma centralizada de autoexclusão permite bloquear sites de apostas autorizados de uma só vez (Ministério da Fazenda)(abre em nova aba)

    Publicado 03 jul 2026 · Verificado 13 out 2026

    Prazo de 1 a 12 meses ou indeterminado; operador tem 72 h para bloquear.

  12. 12

    secundáriaFolhapress, via Jornal de Brasília

    Bets foram alvo de mais de cem processos da Fazenda por infrações desde 2025 (Folhapress, via Jornal de Brasília)(abre em nova aba)

    Publicado 25 jul 2026 · Verificado 13 out 2026

    Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação: 39 processos concluídos (32 advertências, 7 multas, cerca de R$ 11 mi), nenhuma cassação.

  13. 13

    primáriaPresidência da República — Portal da Legislação

    Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026 — texto oficial(abre em nova aba)

    Publicado 25 set 2026 · Verificado 07 out 2026

  14. 14

    primáriaSenado Federal

    Sumário executivo da MPV 1.394/2026 (Consultoria do Senado)(abre em nova aba)

    Publicado 29 set 2026 · Verificado 13 out 2026

    Impacto estimado pelo Executivo: perda de R$ 1,541 bi (2026), R$ 5,150 bi (2027) e R$ 5,330 bi (2028).